Sim, existe o pior erro e que infelizmente a maioria dos empreendedores de micros e pequenas empresas do Brasil ainda comete.

Quando a pessoa que empreende, ela mistura o dinheiro pessoal com o dinheiro da empresa ela está colocando o seu negócio e todo o seu sacrifício e suor em risco.

Isso pode ser chocante, mas é a realidade, infelizmente. É compreensível que esse erro ocorra, porém ao detecta-lo é necessário corrigir imediatamente.

O empresário que achou que trabalhava de graça

Há uns três anos eu dei uma consultoria numa empresa e o dono me disse que ele não recebia nada da empresa há vários meses. Quando ouço isso já sei que vou encontrar o problemão no financeiro, mas fiz um acordo com o cliente. Combinei com ele que faria um levantamento do mês anterior e que tudo que fosse identificado como pagamento pessoal eu categorizaria como “antecipação de dividendos” e ele aceitou.

Encontrei de tudo um pouco: pagamento de condomínio e energia elétrica da casa da mãe, pagamento de cartão de crédito da esposa, escolas dos filhos, consórcios do carro particular… No final, aquele que acreditava que não recebia nada da empresa dava um rombo de R$ 50.000,00! Isso mesmo, cinquenta mil reais! Imagina o que isso refletia no fluxo de caixa da empresa no final do mês?!

Como corrigir este erro:

Ainda bem que pra tudo nesta vida nós conseguimos resolver, né?! E para esta situação eu vou indicar algumas soluções, utilize-as sem moderação!

Solução 1: Quando o empreendedor precisar rever o que foi investido no início da empresa

Percebo que muitas vezes o empreendedor “saqueia” a empresa por que acha que a empresa deve a ele por conta de tudo o que ele pagou no início do negócio, mas muitas vezes ele nem sabe quanto exatamente foi investido e acaba gerando uma dívida eterna da empresa com ele. Então, se este é o seu caso, defina um valor e defina como a empresa irá te retornar. Exemplo: se você acredita que investiu R$ 10.000,00 verifique se a empresa pode te pagar este valor em 4 parcelas de R$ 2.500,00 – e faça o pagamento exatamente como faria se fosse o pagamento de um empréstimo bancário. Assim, a questão fica resolvidíssima!

Solução 2: Quando o sócio trabalha diariamente ele tem que receber seu pró-labore

Sim, o sócio quando trabalha diariamente na empresa ele precisa receber por este trabalho. O nome deste recebimento é Pró-labore. É como se fosse o salário do sócio.

Para calcular o valor do PL indico dois tipos de questionamentos que você precisará se fazer, mas também depende do estágio e da capacidade financeira da empresa:

  1. Se pergunte: quanto eu pagaria para uma pessoa exercer essa mesma função?

Exemplo: suponhamos que você trabalhe no comercial da empresa. Quanto você pagaria para um vendedor fazer o que faz? Salário + Comissão + Benefícios? Tente se pagar exatamente o mesmo valor.

 

Mas você pode falar: Raquel, se eu resolvi empreender é por que eu quero ganhar mais do que ganharia trabalhando para outra pessoa, né?!

Aí eu sou obrigada a concordar com você, mas vamos para a segunda pergunta:

  1. Quanto você gostaria de receber por mês?

Mas a sua empresa já pode pagar este valor? Se sim, ótimo! Parabéns! Mas senão, estabeleça esse valor como uma meta e verifique o que você precisa fazer para a sua empresa passar a ter a capacidade financeira para começa a te pagar o que você merece!

Algumas informações extras:

  • Pró-labore tem incidência de impostos como INSS e IR
  • Retire seu pró-labore apenas uma vez por mês, assim como faz para o pagamento dos seus funcionários
  • Evite fazer retiradas de antecipação de dividendos, isso pode mascarar o resultado financeiro e acabar prejudicando da mesma forma

Como realizar a retirada:

  • Defina um dia do mês para fazer a transferência do valor da conta da empresa para a sua conta pessoal
  • Evite fazer pequenos pagamentos pessoais na conta corrente da conta da empresa – mesmo que no final a soma dê o seu valor de pró-labore. É ruim para você e para a sua contabilidade

Verdades precisam ser ditas: a empresa tende a ter mais dinheiro que você. E o dinheiro que a empresa recebe é dela e não seu. Eu sei que isso é chocante, mas você precisa esperar pelo momento certo de receber uma fatia maior por ser sócio da empresa e esse momento chega quando é para fazer a partilha dos dividendos.

Dividendos: são os lucros da empresa. A distribuição pode ocorrer trimestral, semestral ou anualmente. Eu particularmente sugiro que você faça a distribuição uma vez por ano (no mês de janeiro) pois já finalizou o exercício anterior e fica mais fácil apurar os lucros, verificar quanto ficou no caixa (banco e aplicações financeiras), definir quanto ficará para a empresa e quanto poderá ser dividido pelos sócios – cada sócio recebe na proporção das suas cotas, viu?!

Agora que você já sabe qual é o pior erro que pode cometer na gestão financeira da sua empresa e como resolver essa situação eu gostaria que você me contasse: como você faz na sua empresa? O que eu falei aqui neste artigo foi útil pra você? Faz sentido? Tem uma frase que eu gosto muito que diz assim: “se faz sentir, faz sentido”. Então se te incomodou misturar as contas da empresa toma a decisão correta e aja para resolver essa situação e me conta tudo aqui embaixo, quero conhecer a sua história!

Inté o próximo artigo!